À um ex amor
Querido,
Vim te
escrever essas palavras com a última esperança de não ser ignorada, afinal,
quem escreve cartas no século XXI? Por outro lado, você pode simplesmente joga-la
em um canto qualquer do teu quarto, ou seu destino será direto no lixo que fica
ao pé da tua cama, e quer saber?
Pouco me importa.
Nunca senti
tamanha felicidade como agora. Sair de casa sem se importar se a roupa está
combinando, ou se alguém vai olhar para mim. Ouvir a minha música favorita no
último volume e dançar quando e como eu quiser, inclusive no meio da rua com
todos me olhando. E quer saber?
Pouco me importa.
Lembra
daquele vestidinho anos 90, rodadinho que eu tenho? Caramba! Eu vesti tanto ele
nos últimos que já está na hora de fazer umas remendas; e aquele tênis cor de
rosa com cadarço? Esse ai pede socorro!
Usar batom
vermelho a qualquer hora do dia ou da noite e ir aos lugares sem maquiagem;
pegar um cascão só para mim, derrubar tudo e sair de lá rindo por ser
desastrada como criança; tirar o dia só para não fazer nada.
Me isolar
quando estiver assistindo uma aula interessante, conversar com todos os garotos
e garotas da escola sem se importar o que irão pensar; falar o “eaer how iou”
mesmo sabendo que está errado, e com risadinhas malvadas ao fundo (aliás, é
assim que escreve?).
Enfim,
obrigado por me fazer perceber que não preciso de ninguém para ser feliz, só...
precisava me aceitar. Obrigado por todos os momentos felizes, e os de tristeza
também, se aprende muito com a dor.
Quando ler
essas palavras já estarei no avião, rumo aos meus sonhos malucos, sim, aqueles
que você julgava impossível e completamente imaturos.
Por fim,
obrigado por me fazer a pessoa mais feliz do mundo!


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