15 de agosto de 2015

#

Se controle ou seja um animal



- Bom dia amor! - cumprimentei meu namorado pulando no pescoço dele para um ardente beijo.
- Bom dia só se for para você. - ele me respondeu apartando-se de mim.
- O que foi que eu fiz agora? É sete e meia da manhã, não é possível que eu tenha feito alguma coisa. - resmunguei. Conhecia ele bem o suficiente para saber que algo estava fora do lugar.
- Porque você postou aquela foto no facebook?
- Que foto amor?
- Aquela sua. Que tava mostrando sua barriga. - eu respirei fundo. Ciúmes a esse horário.
- Porque eu quis. - respondi simplesmente.
- Por que você quis? Puxa, sua barriga é minha. Você é minha. Não entendo porque tem que ficar postando essas fotos suas no facebook.
- Mas aí que tá amor! Meu corpo é seu. Eu sou sua. Meu amor é seu. Relaxa. - eu suavizei a situação mudando de assunto.
Todos os dias eu precisava aguentar esse tipo de situação. Se não era por uma foto no facebook, era por algum comentário em foto, algum olhar para um menino qualquer, por um novo contato no celular, por alguma conversa com um garoto, pelo visto por último do whatsapp... Todo santo dia. O que posso eu dizer sobre o ciúme?
Se sou ciumenta? Sou. Claro que sou. Mas não ao extremo. Tá certo que você deve cuidar do que é seu, mas você deve cuidar sem sufocar. Sem tirar a liberdade. Sem aprisionar. Ciúmes normalmente é uma característica de alguém que não se "garante", que não tem segurança em si.
Minha mãe sempre gostou de me contar a seguinte história:
Reza a lenda que um homem era o típico "pacote completo" e por ser tão famoso a mídia e autores de blogs de fofoca, adorava falar sobre as qualidades desse homem. Ele sempre aparecia sorridente em suas entrevistas e fotos, sempre cheio de si, autoconfiante, centrado. Ele com certeza era do tipo que exercia controle sobre tudo. Um dia, uma repórter bastante sexy e bem sucedida de uma revista feminina e conhecida por nao possuir "trava na língua", o aborda para uma rápida entrevista. No entanto, o que deveria durar minutos, acabou durando quase três horas. Durante a entrevista, a mulher ressaltou todos os pontos positivos do homem. Falou sobre a beleza, sobre a riqueza, sobre o cargo dele, sobre a família e todo o resto, mas ela fez uma coisa diferente do que ele estava acostumado, uma coisa que o intrigou, ela falou sobre o fato de ele ser tao excessivamente controlador e de sua ex esposa ter ido embora por causa do ciúme absurdo que ele tinha. O homem a parabenizou pela audácia e franqueza, e a partir daí ele passou a persegui-la. Descobriu absolutamente tudo a respeito dela e depois a conquistou, ele fez com que ela se apaixonasse e eles se casaram. Ela passou a usar roupas que cobriam o corpo todo, nao falava com ninguém e passava o dia todo trancada, servindo a ele. Ela caiu na dele mesmo conhecendo todo o histórico.
O que isso tem a ver comigo? Nada. É que isso nos faz entender que antes de toda a besteira ser feita, você conhece primeiro. Na história acima, a mulher era uma reporter que não aceitava poréns e de repente lá está ela, se deixando ser controlada, aceitando o ciúmes doentio como se fosse a coisa mais normal do mundo. Não é. E nem vai ser só porque você quer. Somos diferentes dos animas - embora ainda animais - pela capacidade de compreensão, de escolhas, de pensamentos. Então quando você permite que outro alguém decida e escolha por você, você se torna um animal. É a mais real realidade.

@cristcamilla