25 de agosto de 2015

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Pressentimento de Mãe


O despertador tocou e aquela dor lancinante veio outra vez. Eu não queria levantar por nada no mundo. Nada me incentivava. Não me lembro quanto tempo passou ate que minha mãe entrasse no meu quarto e abrisse as janelas me obrigando a ver a luz que eu me negava.
- Filha, você viu o dia lindo que está lá fora?
- Não posso ver se não abrir os olhos mãe.  - resmunguei enfurecida por aquela impertinente luz.
- Então os abra. E os abra logo porque hoje você vai para a escola. - coloquei o travesseiro sobre a cabeça na tentativa vã de ignorar minha mãe e ela me deixar em paz. Mas logo senti um cutucão. - Vamos Sofia, levanta.
- Mãe, eu não quero. Ainda não estou preparada para isso.
- Isso o que? - ela perguntou sentando-se na beirada da minha cama. Ela tirou o travesseiro de cima da minha cabeça e começou a afagar os meus cabelos.
- Tudo isso mãe - respondi com lágrimas nos meus olhos. - Não quero mais levantar.
- Filha, sinto muito, mas não quero mais ver você assim. Já fazem três meses que ele se foi querida. Se ele quisesse continuar com você, ele teria pedido para que você fosse junto. Não acho justo você ficar aí sofrendo por causa dele. Ainda mais depois de todo esse tempo. Ele terminou com você para começar uma nova vida. Ele não previsa de você, então não precise dele. Vamos, levante. Tenho bons pressentimentos para você hoje. Seja rápida. - e depois desse discurso ela me deixou sozinha.
Eu não sabia se o "bom pressentimento " dela era fachada ou se ela realmente tinha certeza disso. Eu só sabia que ela estava certa. Era meu último ano na escola e eu não podia deixar que isso,  uma coisa tão trivial, acabasse comigo. Agora deixe-me te contar resumidamente o que aconteceu comigo: meu namorado desde o jardim de infância, terminou comigo para viajar para o exterior. Eu fiquei desolada. Ele nao me deu porquês e nem nenhuma satisfação. Ele simplesmente me deu adeus e falou que fim. Fim mesmo. Por meses eu não saí da cama, não me alimentei direito, não me cuidei, nao vi ninguém. Eu só chorava e me lamemtava. Mas agora seria diferente. Foi um fim para um começo melhor.
***
Saindo de casa percebi que eu tinha novos vizinhos e minha mãe logo fez questão de ir cumprimenta-los.
- Eles se mudaram quando?  - perguntei baixo.
- Os Wilson? Mudaram mês passado e colocaram a casa a venda. Acho que finalmente venderam né?
Chegamos até os novos moradores e eles eram bastante sorridentes e amigáveis.
- Olá. Nós somos suas vizinhas e viemos dar as boas vindas. - minha mãe falou de modo simpático.
- Achei que isso só acontecia nos Estados Unidos - uma voz masculina falou saindo do carro.
- Filho! - a mulher repreendeu. - Obrigada pela hospitalidade. - ela respondeu. No momento em que meus olhos encontraram os do filho dela...  Senti uma conexão instantânea. Não sei se ele também sentiu, mas eu senti. E aquela sensação de que a vida é realmente espetacular, voltou com tudo. Eu esqueci de tudo de repente. E comecei a me inquirir porque alguem que acabou tanto comigo podia valer a pena? O destino tinha me preparado algo melhor e o pressentimento da minha mãe se confirmou dentro de mim. Ela estava certa. Algo bom estava pra acontecer. E aconteceu. 

@cristcamilla