10 de agosto de 2015

Homenzinhos vermelhos de Marte




Corro, corro, corro. Encosto em uma parede totalmente ofegante, meu Deus, estou correndo do quê? Por que eu não consigo me lembrar? As paredes afundam com o meu peso e cada lado dela parece ter uma cor. Espere aí, isso aqui é gelatina? Ai Jesus, que loucura. Um barulho estridente faz-me lembrar que preciso voltar a correr. Me sinto uma fugitiva. Ao correr por mais ou menos umas quatro quadras, encontro um amigo de infância que assim como eu, logo me reconhece.
- Clara, e aí? - ele me abraça e de imediato sinto um grande volume. Acho que ele acaba percebendo meu desconcerto porque logo se afasta e começa a rir - Ah, relaxa! Não é meu amiguinho isso aqui - ele enfia a mão na calça - É só a minha trinta e oito. Você estava indo para onde?
- Nem eu sei, Ma. Eu só estava correndo. Tentando me salvar, acho.
- Se salvar? Tô fazendo isso também. Desde que tudo isso começou, eu corro por aí sem lugar fixo e um sono tranquilo. Mas eles sempre me acham.
- Eles quem? - pergunto confusa.
- Os caras que se misturaram aos extraterrestres. - eu coloco a mão sobre a boca para segurar a gargalhada.
- Extraterrestres Mauricio? Conta outra. - Queria eu. Desde que eles dominaram o planeta, as paredes são pura gelatina, as ruas são como areia movediça, as casas flutuam, as pessoas se tornaram robôs e os carros voam. A noite, quando todos estão dormindo, eles saem em seus ovnis procurando pessoas que ainda não receberam o chip e que não estão sendo controladas. São pessoas assim como eu e você e que eles veem como uma ameaça.
- Quanto tempo você levou para inventar isso? - como eu poderia acreditar em tudo aquilo? Era doidera demais.
- Será que você não consegue ver? Venha até aqui. - ele me puxou pelo braço e me tirou do beco me levando até o meio da rua. Apontou para cima. Haviam enormes pistas e todas as casas de fato flutuavam. - Eu não estou brincando. Não estou tão doido assim. Ali em cima são estradas, casas... E sabe essas árvores aqui? São apenas enfeites. É tudo plástico. Lá em cima eles vivem literalmente nas nuvens e pelo tempo que tudo isso começou, me surpreende você nunca ter notado.
- Só não posso crer em casas flutuantes e carros voadores. É surreal demais. -  confessei seguindo-o de volta ao esconderijo no beco.
- Quando o mundo ainda estava em ordem, cientistas atrás de cientistas estudavam as casas flutuantes no Japão e na Amazônia. Isso tudo já existia, só que menos desenvolvido. As casas flutuavam sobre a água, mas qual a diferença delas sobre a água e elas no ar? Nenhuma. Não há porque se surpreender com isso. O homem tem a natureza magnifica, o problema é termos virado robôs de homenzinhos vermelhos vindos de marte.
- De marte? Como? - enquanto Mauricio falava, eu me perguntava se congelei durante esse processo ou se havia simplesmemte hibernado.
- Há mais ou menos 30 anos atrás, recebemos do espaço sinais vindos de Marte, sinais como que de comunicação. O homem, em sua extrema curiosidade, passou a construir foguetes que chegassem até Marte e quando concluído, foram até o planeta onde passaram a se comunicar com os residentes de lá e aos poucos fomos dominados por eles.
- Em que ano estamos? - eu deveria ter feito essa pergunta a muito tempo.
- 2045. - Mauricio respondeu boquiaberto. Ele me olhava como se eu fosse a et ali e não aqueles que passaram a controlar a humanidade inteira.
- Impossível. - respondi descrente. Como posso ter ido dormir em 2015 e acordar em 2045? - Mauricio riu de canto.
- Experimente acordar.
***
Levantei da cama com o coraçao acelerado e corri para a janela. Tudo estava no chão, inclusive os carros. Eu estava lendo ficção demais. Ainda bem que tudo não passou de um sonho... Carros voadores, aff. Até parece.
 renata massa