24 de agosto de 2015

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Hawaí e Tartarugas Marinhas


Minhas primeiras férias. Ver a praia assim de tão perto era um sonho pra mim.  Um sonho que ao lado da minha melhor amiga,
Suzan, eu estava realizando. A primeira coisa que fiz ao chegar foi agendar o jantar na praia a noite. Já estava escurecendo quando chegamos ao hotel, por isso, só teríamos tempo para um banho e descer.
- Já escolheu o quarto?  - Suzan me perguntou saltitante.
- Os dois sao exatamente iguais entao tanto faz. - respondi sem dar muita importância.
- Aqui é lindo né? Tão vivo e feliz...  - ela comentou.
- Verdade. E iremos jantar na praia. Sob a luz do luar. Quer algo mais lindo que isso? - soltei um suspiro.
- Ai, você e seus devaneios. Vou tomar um banho rapidão.
Eu sabia que o rapidão dela seria quase uma hora. Eu não me preocupava com o tempo no banho, me preocupava com a roupa que usaria. Depois de algum tempo meditando a respeito disso, me liguei que eu nao precisava decidir muito. Era só um jantar afinal. E na praia ainda. Sem muita formalidade.
Eu estava terminando de me vestir quando Suzan apareceu na porta do meu quarto simplesmente radiante.
- Uau, para que essa elegância toda?
- Só quis me vestir bem ue.
- Tá certo. Vamos?
- Claro.
Ao chegarmos no salão, me senti areependida de ter vestido shorts jeans e bata. As pessoas ali pouco se importavam com o fato de estarem na praia. Elas só queriam exibir as roupas caras e glamourosas. Quando um garçom passou ao meu lado,  agarrei-o pelo braço e perguntei o que deveria fazer para saber em qual mesa eu estava se eu tinha agendado um horário.
- Temos um padrão diferente - ele tentou me explicar com certa dificuldade. Dominava bem pouco de português. - Determinamos um certo numero de agenda por horario, mas  as mesas sao escolhidas conforme vão chegando.
- Certo. Entendido. Obrigada. - assim que ele saiu, Suzan me cutucou a pontou uma mesa vaga. O salao estava lotado e ao desprezar alguns lugares,  acredito que aquela fosse a última mesa inteiramente vaga.
Assim que coloquei a mao sobre a cadeira, uma outra mao sobrepôs a minha. Aquele toque quente me transmitiu calor e acendeu todo o meu corpo.
- Com licença senhorita?  - ele falou.  A voz suave demais para a estatura dele. - Acho que cheguei primeiro. - me permiti encará-lo. Alto. Forte. Bonito. De terno e gravata.
- Acredito que não. Aliás, minha mao sob a sua prova isso. Cheguei primeiro e vou ficar na mesa.
- Tem razão.  Perdão. Acabo de chegar de viagem e estou tao cansativo,  será que eu nao poderia dividir a mesa com as senhoritas? Eu nao sabia que o povo havaiano levava tão a sério horário de refeições. - Suzan me olhou sorrindo de canto e eu permiti que o homem sentasse conosco. Ele saiu e voltou acompanhado por uma mulher.
O jantar foi simplesmente maravilho. O luar então, eu não poderia descrever tamanha perfeição. A brisa que vinha. O cheiro de mar. Comemos e nos damos muito bem. Ricardo, o homem, falou sobre o seu trabalho, a viagem, a bebida e sobre como tudo era bonito. Lua, a irmã  de Ricardo, de hora em hora comentaba a respeito das flores, do ula e das cores vivas, vibrantes e quentes. E Suzan falou sobre tudo. Ela ja havia bebido alem da conta. E quando ela estava quase pirando, Lua ofereceu-se para levá-la para o quarto. Fiqei sozinha com o Ricardo e logo estávamos falando de namoros e desilusões amorosas. Rimos,  fizemos piadas e refletimos sobre tudo.
No fim da noite, meu corpo clamava por cama e precisei dar tchau a ele que insistiu em me acompanhar até o meu quarto.
- Por que você está segurando tão forte nessa barra?  - ele perguntou me observando no elevador. Eu sorri de canto.
- Uma vez quando eu era criança,  fui ao shopping com o meu pai e a escada rolante tinha quebrado. Eu fiquei muito triste, porque eu amava escada rolante. Meu pai, para me alegrar, decidiu me fazer fechar os olhos e me levar no elevador,  eu sem saber fui. Só que ao lado do meu irmão mais velho, havia assistido um filme de terror que acontecia em um elevador e quando abri os olhos e vi onde eu estava, comecei a chorar muito. Pra ajudar, o elevador parou um tempo longo demais e quase que meu coração parou junto,  mas superei. Ou quase. - ele riu de mim e me puxou para um surpreendente abraço.
- Vir para o Havaí não foi tão ruim quanto pensei. - o elevador parou e saímos.
- Pensou que seria ruim?
- Sim, ainda bem que fui presenteado no primeiro dia. E com alguém que fala a minha língua. - ele ergueu as mãos como auem declara "aleluia". Eu sorri e parei em frente a porta.
- Até amanhã Ricardo.  Foi um prazer te conhecer. - e quando eu ia entrar,  ele me puxou pelo braço e me deu um beijo atordoante.
- Desculpe - ele falou com a respiração roçando meu rosto. Meus pulmões pareciam ter sido comprimidos.
- Tudo bem. Eu amei. - e devolvi outro beijo. Depois entrei no apartamento.  Me sentia uma adolescente quando encostei na porta sorrindo e mordendo os lábios.  Suzan apareceu de repente com a cara amassada e os cabelos despenteados. O glamour já tinha ido embora.
- Reação pós beijo. Acertei?
- Sim e amanhã verei ele novamente. -contei feliz por poder dividir com alguém mesmo consciente de que ao acordar ela nao lembraria de mais nada.
- Onde? No mesmo lugar?
- Na praia. Ele trabalha como biólogo  com a irmã  e está aqui por causa das pequenas tartarugas marinhas,  dessa janela, ja posso ver meu príncipe lindo preservando espécies ameaçada de extinção. Isso não é lindo? - suspirei - Suzan? - será que alguém acreditaria se eu dissesse que ela pegou no sono no sofa? Enquanto eu falava?  Pois é. 

@cristcamilla