4 de agosto de 2015

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Eu odeio batatas



  Minha vida se resume a batatas.Batatas no almoço,batatas na janta e viagens por causa das batatas.Meu pai tem uma empresa que fornece batatas para super mercados,mas para falar a verdade eu nunca me interessei em trabalhar com isso.
  "Mãe,eu vou enlouquecer"
  "Sophia,fica calma"
  "Não tem como eu ficar calma,se eu não conseguir passar no vestibular vou ser obrigada a trabalhar com batatas"-falei brava.
  "Trabalhar com batatas?Que tom foi esse?"-perguntou minha mãe.
  "Eu só não quero trabalhar com isso"
  "O seu pai deu duro com tudo isso,se não fosse as batatas nós não viveriamos nesse conforto"
  "Eu sei mãe que não estariamos tão bem de vida se não fosse o esforço do papai,mas eu só não me imagino trabalhando com isso"
  "Não seja por isso,amanhã você vai trabalhar comigo para ver como é"-disse meu pai bravo atrás de mim.
  "Tudo bem papai"-concordei,pois nunca discordo do meu pai.
  No outro dia meu pai me acordou cinco horas da manhã.
  "Pai?!"
  "Vai logo,Sophia"-disse meu pai puxando a minha coberta e saindo do quarto.
  "Joguei pedra na cruz"-falei baixinho.
  Em menos de cinco minutos me arrumei e fui com o meu pai trabalhar.
  "Trouxe a filha chefe?"-perguntou o Theo correndo atrás do meu pai.
  "Trouxe"
  "Como cresceu"
  "É eu cresci e você está com barba agora,eu lembro que você era louco para ter barba"-falei sorrindo.
  "Faz tanto tempo assim que a gente não se viu?"
  "Theo,a gente não se vê desde quando eu tinha catorze anos"
  "E quantos anos você está agora?"-perguntou o Theo.
  "Dezessete e você?"
  "Dezenove"
  "Vocês dois estão aqui para trabalhar"-disse meu pai começando a ficar bravo.
  "Estou indo,seu Roberto"-disse o Theo sem graça.
  Fiquei o dia todo dentro de uma sala organizando documentos para o meu pai,foi horrível.
  "Vai almoçar,Sophia"-disse o meu pai.
  "Estou sem fome"-respondi tentando parecer concentrada nos documentos.
  "Vai logo,não quero você com aquela frescura de ficar sem comer de novo"
  Respirei fundo para não chorar,andei pelos os corredores,eu achei que ninguém iria me ver chorando estavam no horário de almoço.
  "Oi moça"-disse o Theo atrás de mim.
  "Oi"-fale tentando disfarçar a cara de choro.
  "Você estava chorando?"
  "Não"
  "Sua cara está vermelha"
  "É alergia"-falei rápido.
  "Você tem alergia a batatas?"-perguntou o Theo querendo me fazer sorrir.
  "Essa desculpa foi tão ruim assim?"
  "Foi péssima,mas se você não quer me contar tudo bem"
  "É uns problemas com o meu pai"
  "Complicado,né?Quer almoçar comigo?"-perguntou o Theo me fazendo sorrir.
  "Quero"
  "Vem aqui"-disse o Theo bem baixinho.
  O Theo pegou na minha mão e me levou para uma sala do prédio.
  "Podemos ficar aqui?"-perguntei antes dele abrir a porta da sala.
  "Não,mas ninguém vai descobrir"
  Ele abriu a porta e lá estava uma pizza e um refrigerante em cima da mesa.
  "Você já estava com tudo planejado,né?"
   "Claro que já tinha planejado chamar você para almoçar comigo"
  "E se eu falasse não?"-perguntei.
  "Se você falasse não eu teria que comer uma pizza inteira,mas isso não seria um problema para mim"-disse o Theo sorrindo.
  "Vamos almoçar vai"-falei sorrindo de volta.
  Rimos de quando eramos mais novos,ele disse que eu era uma magrela metida e eu falei que ele era um projeto de maromba.Foi muito bom almoçar com ele apesar dele ficar me zoando só por que eu comi dois pedaços de pizza.Quando horário do almoço começou a dor de cabeça de novo,mas trabalhei um pouco mais feliz.
  "Sophia você almoçou com o Theo?"-perguntou o meu pai olhando no computador.
  "Como o senhor sabe?"
  "Tem uma câmera naquela sala"
  "Nós só almoçamos"
  "Não quero saber,vocês dois não podem ir lá"-disse o meu pai bravo.
  "Porque o senhor está tão bravo?O senhor não viu que a gente só almoçamos"
  "Vou mandar chamar o Theo agora"
  Quando o Theo chegou na sala teve a cara de pau em falar que eu ie tinha falado para almoçarmos lá.
  "Você está mentindo por que?"-perguntei brava.
  "Não estou mentindo"
  "Como não?!"-gritei com ele.
  "Eu não estou mentindo"-gritou o Theo de volta.
  Fiquei com tanta raiva que peguei uma batata de plástico que fica na mesa do meu pai e joguei nele com toda a força que eu tinha.
  "Ai meu olho"-gritou o Theo.
  "Sophia"-gritou meu pai também.
  "Meu Deus,oque eu fiz?"
  "Os dois vão para suas casas,não quero ver mais vocês dois na minha frente hoje"
  "O senhor vai me demitir?"
  "Não,mas quero que os dois vão embora agora"
  Eu e o Theo fomos para o ponto de ônibus.
  "Por que você mentiu?"-perguntei brava.
  "Eu menti porque eu podia ser demitido"
  "Covarde"
  "Você fica tão linda brava"-disse o Theo mr beijando.
  O beijo foi muito bom,mas quando percebi que ainda estava brava com ele o mordi.
  "Você me mordeu?"-colocando a mão na sua boca.
  "Mordi e se tentar algo de novo te dou um chute nas partes baixas também"
  "Se me bater assim toda hora vou acabar gamando"
  "Você é um idiota"-falei entrando no ônibus.
  Quando cheguei em casa minha mãe logo foi perguntando como tinha sido trabalhar com o pai e eu a respondi com a única frase que estava na minha cabeça:
  "Eu odeio batatas"

@cristcamilla